Letras Elétricas
Textões e ficções sem compromisso
by J. G. Gouvêa Atualizado em 31 de julho de 2021

O Julgamento

Publicado em: 11/10/2012

Tradução de um trecho avulso de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll (obra que se acha em domínio público, tradução feita por mim, ao improviso, já aviso). Com um título novidadoso, homenageante aos recentemente condenados. Dedicado aos que foram condenados, independente de serem ou não culpados, não pelo que fizeram, mas pelo que são.

Disse-lhe o gato

ao rato: “Venha

logo seu bobo

jogarmos

um jogo:

Vamos

ambos

à lei.

Eu lhe serei

promotor

e tu réu.

Venha agora

o tribunal

não demora.

Julgaremos

teu mal

no final.

É que

hoje estou

sentido

e vazio

e mal consigo

o que sirva

para fazer.”

Disse-lhe

o pobre rato

ao gato:

Um júri assim

de improviso,

companheiro,

sem juízo e

nem jurado,

tão sorrateiro

seria errado,

uma perda

de tempo.”

“Júri

e juiz

posso eu

mesmo ser”,

Explicou,

esperto,

o bichano.

“Farei

de tudo

no ato,

que a ti, rato,

réu nato,

condenará,

sem pena,

ao prato.”

Permitida a reprodução em qualquer meio, com crédito ao tradutor, que soy yo, se possível sempre com link.

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