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Textões e ficções sem compromisso
by J. G. Gouvêa Atualizado em 24 de junho de 2021

Roteirização de HQ

Publicado em: 15/08/2014

Então um belo dia escrevi A Maravilhosa História do Sr. Sombra e da Senhorita Raio de Luar (um título horrível para um conto que sempre possuiu um bom potencial “cult”. Por se tratar de uma história que ao mesmo tempo satiriza e referencia vários clichês e personagens de histórias em quadrinhos, eu sempre pensei que ela combinaria muito bem com uma graphic novel. Mas como não sei desenhar nem um ovo, fui deixando de lado o projeto.

Recentemente eu conheci um ilustrador que se propôs a levar o projeto adiante, inclusive roteirizando a HQ para mim (por um preço adicional, claro). Daí lembrei que certa vez, há muito, mas muito tempo mesmo, nos primórdios da Internet, eu fizera um mini-curso de roteirização de HQ! Ora, por que eu deixaria o trabalho na mão de um desenhista que, possivelmente, não teria uma boa mão para a literatura? Era a minha chance de dar a minha marca pessoal ao trabalho, mas principalmente, e muito principalmente, a oportunidade de sanar as fraquezas do texto original (que é basicamente um grande e confuso rascunho).

Peguei o meu velho material, procurei algumas referências novas na Internet e, com a cabeça refrescada, comecei o trabalho. Nem havia roteirizado a primeira página e eu já percebera quão importante havia sido a minha decisão. O original, apesar de sua qualidade imaginativa, precisava de muita adaptação para poder servir como argumento de uma HQ. Roteirizar não era apenas uma questão de criar quadrinhos e diálogos: envolvia selecionar o texto original, corrigir falhas, mudar até mesmo certos aspectos da história para que ela funcionasse melhor em uma arte visual como os quadrinhos.

Ainda não sei com quantas páginas a história ficará (estou trabalhando com uma previsão de 24 páginas, mas é possível que estoure o limite). Eu tinha prometido terminar o trabalho até amanhã, mas isso não será possível. Não só porque eu estou com um resfriado atroz que derreteu meu cérebro, mas também porque eu tomei gosto pela coisa e resolvi fazer o trabalho com muito mais carinho do que originalmente supusera. Carinho toma tempo, mas recompensa.

Outro aspecto do trabalho é mudar os nomes de alguns personagens e o título da própria história. Os personagens não podem infringir marcas registradas e o título da história tem que funcionar melhor.

Os personagens se baseiam vagamente em vários personagens de HQ conhecidas. O protagonista incorpora elementos do Batman, do Sombra, do Espírito, de Dick Tracy e de Nick Fury. A protagonista reúne características da Harlequina, da Mulher Gato, do Pantera Negra e da Mulher Maravilha. O vilão (que de fato não é vilão, porque a história não é maniqueísta) é uma mistura do Charada, do Dr. Destino e de diversos cientistas malucos do cinema.

Estas semelhanças significam que eu preciso ter cuidado para não me prejudicar utilizando nomes já registrados.

Mas no fim de tudo, acredito que encontrarei o ponto certo e vocês, leitores, poderão adquirir a HQ do com esta interessante história. Se vender bem, pode ser a primeira de uma série.

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Assuntos: nerdices