Letras Elétricas
Textões e ficções sem compromisso
by J. G. Gouvêa Atualizado em 24 de junho de 2021

Nasceu “O Reino Esquecido”

Publicado em: 27/02/2016

Iniciado durante uma semana literalmente febril de junho de 2008, este romance “pseudo-histórico” e doentio é a mais nova obra de minha autoria que consigo terminar. Ainda não sei o que farei dele, que ficou pequeno e confortável para um concurso, se bem que essa simples postagem contendo seu título pode lhe remover o ineditismo segundo o critério louco de algum concurso obcecado em premiar somente quem escreve para a gaveta.

O processo de criação deste romance contém todos os erros e equívocos possíveis de se imaginar, e serve, mais uma vez, para provar que eu sou um romancista desastrado (cada vez me convenço de que os contos são mesmo a minha praia). Comecemos pela lentidão, causada pela minha dificuldade em retomar o texto, que crescia e se desorganizava — um problema que estou tendo, também, com outros dois romances que terei de terminar na base da teimosia e da força de vontade, com alguma dose de reescrita.

Outro fator que dificultou a conclusão do trabalho foi a concorrência com a internet. A maioria dos processadores de texto disponíveis, mesmo para um sistema de nicho como o Linux, oferece um ambiente muito amigável para distrações. Eu só consegui efetivamente terminar quando compilei e instalei um programa chamado “Ghost Writer”, que me permite trabalhar em tela cheia, com o mínimo possível de distrações e, isto é importante, um mínimo necessário de ferramentas. Nada mais que uma caixa de texto, uma caixa flutuante contendo um índice clicável (boa para se organizar a história), um sistema de salvamento automático e um formato de arquivo que proíbe distrações com a formatação (apenas texto plano, com algumas marcas do tipo Markdown). Para completar, um ambiente ascético, com um tema de cores frias, que lembram os antigos computadores. Foi assim que domestiquei minha tendência a procrastinar e me concentrei no trabalho.

Em relação à história em si, trata-se de um romance sobre a história e sobre as frustrações dos historiadores, mas narrado de forma leve e acessível. O núcleo da história me veio em um sonho, numa madrugada difícil e quente. A partir daí, não querendo contar uma história ambientada em outro país, desenvolvi um núcleo de personagens em torno desta história, transformado o núcleo original em um tema subjacente, quase um personagem inanimado.

A história da criação desta noveleta envolve a gradual aproximação de um tema estrangeiro, até que ele se encaixasse como uma luva na Zona da Mata Mineira, onde vivo e escrevo. Partindo de Luxemburgo e da Bélgica, cruzando o Atlântico até o Uruguai e o Sul do Brasil, uma metade da história vai ao encontro de outra, que parte da Zona da Mata em direção ao sul e depois retorna, até finalmente as duas se abraçarem numa cidadezinha do interiorzão de Minas Gerais e depois retornarem ao berço europeu para um último gesto, uma chave.

Esse périplo geográfico da ação certamente confundirá o leitor mais desatento, mas eu não poderia ter narrado de outra forma, e nem poderia ter deixado de aproveitar a sensacional ideia do sonho.

Agora com o romance pronto, começo a pensar no processo de sua publicação. Primeiramente um leitor beta, depois um revisor, futuramente uma edição. Se editora não sair, talvez até o deixe aqui no blog.

Para agora, temos vários concursos abertos onde ele pode caber.

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