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by J. G. Gouvêa Atualizado em 31 de julho de 2021

Projeto Anime 2020 — Como me Tornei Otaku aos 47

Publicado em: 01/09/2020

O período de relativo isolamento social proporcionado pela pandemia do Covid-19 me permitiu tomar conhecimento de conteúdos que antes não me interessavam ou que eu simplesmente nunca tivera a oportunidade de conhecer. Também me permitiu retomar antigas conexões a que eu não dava atenção há muito tempo. Entre esses conteúdos, as animações japonesas (animê), das quais a última que eu conhecera fora “Dragon Ball”, no início dos anos 2000.

Um dos motivos de eu nunca ter me aproximado dos animês foi o fandom, obviamente. Além da esquisitice dos “otakus” com suas fantasias, ops, “cosplays”, o gênero inclui uma fauna de seguidores obcecados com os quais eu nunca me identificara (até agora pelo menos). O outro motivo, relacionado ao primeiro, as esquisitices da cultura japonesa, incluindo sexualização aleatória de personagens (até de crianças), romantização do suicídio etc. Esses elementos me causavam estranheza porque, obviamente, quando encaramos um país pelo prisma do exotismo, tudo aquilo que nós conhecemos parece muito diferente quando é chamado por um outro nome.

O isolamento social, porém, me permitiu gozar da privacidade para assistir coisas que eu normalmente teria receio de assistir em companhia de outras pessoas. Essa privacidade me permitiu receber desarmado a narrativa do cinema japonês de animação e assim, aos poucos, minha visão exótica foi atenuada e eu consegui me identificar com certos personagens e tramas. Não todos, obviamente, porque em todo gênero sempre há boa e má qualidade. Com essa aproximação eu tive, pela primeira vez na vida (e olha que eu já tenho 47 anos) a oportunidade de perceber a profundidade narrativa de vários filmes e seriados.

Esta postagem é a primeira de uma série que farei aqui no “blog” comentando alguns animês que assisti desde março. Não será uma série planejada, vou escrevendo à medida que me der vontade de escrever sobre cada filme ou seriado, mas tentarei manter um cronograma (postagens semanais), um padrão de tamanho (duas ou três partes para falar sobre seriados e uma ou duas partes para falar de filmes) e uma linha de estilo (falarei dos animês que eu achei interessante pelo conteúdo da trama, não daqueles que tiveram mais impacto cultural ou que sejam mais bem desenhados e/ou animados).

Até o momento, os animês que pretendo comentar são os seguintes:

Longa Metragem:

Seriados:

Dos seriados citados, só os dois primeiros eu já assisti até o fim. O terceiro eu assisti só a primeira temporada, mas acredito que não preciso assistir as temporadas seguintes, visto que esta primeira temporada apresenta uma história fechada, coerente e absolutamente perfeita do ponto de vista lógico. Continuá-la dificilmente vai melhorar.

Portanto, só vou comentar os outros quando já tiver terminado de assisti-los. Devo começar falando de “Parasita”“, depois de”Prisão de Insetos”. Então vou falar de todos os filmes, provavelmente na sequência acima, antes de passar aos seriados que ainda não terminei. Não pretendo desviar desse planejamento, mas é possível que algum filme ou seriado apareça no caminho.

Nessa série de comentários pretendo chamar a atenção para o subtexto que consegui perceber nessas obras e a riqueza de conhecimento e de questionamento filosófico que se pode obter refletindo sobre elas de uma maneira bem informada (isto é, se você não é um mero espectador de animês, mas um leitor e um conhecedor de filosofia). Embora eu não tenha profundidade necessária para ir ao fundo de tudo o que deve haver ali, acredito que posso pelo menos provocar sua atenção para que comece a refletir também.

No mínimo, será divertido discutir esses assuntos tendo por base um conteúdo tão charmoso (embora, no caso de “Ajin” e “Prisão de Insetos” ele possa ser tão desagradável).

E não custa lembrar que, sim, haverá spoilers por todo lado. Estou avisando antecipadamente o meu planejamento para que você tenha tempo de assistir esses filmes e seriados antes de ler, evitando que eu estrague seu prazer. Uma semana e meia deve bastar para finalizar “Parasita”. Finja que o Sr. Gotō está atrás de você e corra!

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Assuntos: anime filosofia