Letras Elétricas
Textões e ficções sem compromisso
by J. G. Gouvêa Atualizado em 31 de julho de 2021

Aforismas de um Ogro - III

Publicado em: 23/03/2011

Não há maneira controlada de fazer uma grande mudança. Saia batendo a porta, queime a ponte depois de cruzar o rio e só depois pense no caminho. De muito juízo o inferno da inércia está bem alimentado.

O dinheiro compra tudo, mas quem faz a lista é você.

A lógica do mercado de trabalho moderno se baseia no princípio milenar a que um romano clássico chamaria Lex silvestris. Em essência funciona assim: existe algo a ser feito e pessoas que devem fazê-lo. Alguns que terão contratempos e outros que não os terão. Os primeiros concluirão o trabalho e os segundos não. E não há esperança: o mundo é de quem realiza e não de quem teve os motivos mais justos do mundo para ficar a 1% de realizar.

Existem homens neste país ganhando salários superiores a dez vezes o do Presidente da República apenas porque sabem chutar uma bola. Se alguém neste país estivesse ganhando um milhão de reais para fazer poesia seria um consenso na sociedade o absurdo de tal situação.

Não confio em pessoas que acham que eu devia gastar mais dinheiro. Se a tecnologia torna possível gastar apenas determinado valor, então qualquer preço superior a ele se torna uma exploração e quem o paga é um idiota ou um oprimido.

Deve ser algo terrível o poder absoluto. Apesar de todas as tentações e da possibilidade de satisfazê-las, sempre existe a possibilidade de que você o obtenha como Kadhafi e se torne no fim alguém como Kadhafi. Não desejo isso a mim nem a ninguém.

Kadafi Antes Kadafi Depois

Muammar Kaddhafi, de jovem coronel bonitão a velho decrépito com cara de múmia e alma de bicho-papão. O poder absoluto não apenas corrompe absolutamente como transforma um cara aparentemente normal em um bundão brocha que anda cercado por quarenta mulheres guarda-costas e manda matar todo mundo que não o ame. Teria sido melhor continuar coronel, Sr. Kaddhafi.

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